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Ser herói

É madrugada, acordo e não mais consigo dormir… sono “panqueca”… ouvi essa expressão um dia e adorei…  pensamentos sobre fatos começam a incomodar, possibilidades incômodas de fatos, suposições absurdas mas que naquele momento parecem tão lógicas… as minhas entranhas se tornam pensamentos desconexos, mas vívidos e incomodativos… e a pergunta… o que fazer? Medito, afasto com muito esforço essas sombras e busco a paz… consigo após um bom tempo voltar ao sono… acordo um caco…

Mas durante a manhã ainda ressoavam em mim as vívidas imagens e possibilidades remotas… sensação de desconforto em meu coração. Sim, após muitos anos de vida, ele é meu fiel companheiro, a quem sempre tento ouvir (as vezes não é nada fácil) e o fazer sentido para mim passou a ser meu mantra.

Penso num livro que estou lendo, cita que a civilização ocidental tem como base o medo. Lembro da minha própria vida… e da dos outros… o que a criança tem de mais puro? A confiança plena, o se entregar, o não temer – seu lado cósmico – quando começa a crescer começam os medos, as vezes de animais domésticos, de cair,  de se machucar, de perda, do outro… a educação ou a falta de educação nos trazem isso, os medos de quem nos cerca nos impregnam, os medos do ambiente em que vivemos são a nós incorporados e o espiritual em nós, cada vez mais terreno, vai pouco a pouco na vida se tornando distante… a confiança plena, o peito aberto ficam na estrada do tempo… o passar dos anos nos traz mais medos, mais receios. Como sobrevivemos ou melhor, como sobreviver? Se olharmos a nossa volta com olhar de medo realmente dá vontade de desistir de tudo e encolher-se, às vezes até vontade de morrer…

Volto à minha noite insone, recordo os pensamentos… percebo lá o medo, de várias formas, mas a base de tudo é clara: medo. Agora penso naquela pureza de alma, na época do “sem medo”, lembro de situações enfrentadas ao longo da vida com entusiasmo (a palavra entusiasmo vem do grego e significa ter  Deus dentro de si) quando o medo era reduzido,  virava receio, era encarado com CORagem (ação do coração) e acontecia o melhor e o medo se dissipava… penso no que fazer… os pensamentos tinham fato real por traz… os desencadeamentos eram a questão… ouço meu coração… faz sentido? Só de analisar e denominar os medos presentes parecem enfraquecer… lembro de “Você sabe quem…”, quem o enfrenta é quem o denomina (na Bíblia cabe a Adão denominar os animais), hora de denominar meus medos… a situação vai clareando… preciso confiar! Em mim mesma! As nuvens do meu pensamento vão se dissipando e o sol traz raios de luz que penetram minha atmosfera interior, meus pensamentos… coragem e confiança – enfrentar e vencer minha luta interior. Sou herói!

Publicado em: 3 de agosto de 2018 por

14 Comentários

  • Marta Lúcia V Trugilho disse:

    Sim Helo, bom dia!Busco meditar,
    (“me-editar”), dia após dia, mas por vezes também sou capturada por está onda noturna, o que fazer?
    Volto coloco o medo sentado a minha frente, converso com ele, vejo o seu propósito de proteção e lhe digo: Ok, já te entendi, gratidão por buscar me proteger, mas daqui pra frente sigo “sozinha”, na certeza de estar em comunhão com a unidade.
    Então entrego, confio e sigo o meu caminho.

    • admin disse:

      Que bom Marta! Gratidão por seu comentário! Muito bom perceber o sentido de proteção do medo, mas também tem o que preciso trabalhar para que ele não seja mais necessário? Onde posso chegar para que esse medo não tenha mais sentido para mim? Lembra de alguns de nossos medos da infância? Hoje estão sem sentido, pois os superamos… daí creio na importância dessa pergunta: o que me mostram, o que preciso superar?
      A entrega, confiança e coragem são caminho para essa superação!

  • Carmen Lucia disse:

    Ao ler o texto cheguei a acreditar que eu seria a autora rsrs brincadeirinha.
    Mas a semelhança com a minha realidade é tamanha. Incrível, as pessoas
    passarem por
    experiências tão semelhantes. De repente fica tudo
    tão cinza…. Já escrevi e apaguei esse comentário, na maioria das vezes é assim… não chego a enviar. É preciso coragem.

    • admin disse:

      Obrigada demais pela coragem de enviar! É muito importante para mim saber o que tocou as pessoas, suas percepções. Esse é o grande ponto: dentro de um comportamento arquetípico de uma fase da vida temos a individualidade, que é só de nossa biografia, mas ao mesmo tempo, tantas coisas em comum… muito feliz com sua mensagem! Coragem e confiança! Vamos em frente!

  • Katia Louzada disse:

    Você é especial. Abençoada por tamanha generosidade para compartilhar este algoz! Gratidão. Bja

  • Glênia disse:

    Uau! Como foi útil pra mim esse texto, veio a calhar no momento propício de uma decisão séria e que meus medos me paralizam!! Esse texto me expandiu mais a visão e me confirmou na busca que estou fazendo! Gratidão à publicação!

  • Clesia Maria Marques de Oliveira disse:

    Realmente muito verdadeiro e inspirador!!
    Para se viver … cada dia…cada despertar…é preciso coragem com muita auto-confiança e muito amor no coração… ❤️

  • Elizabeth disse:

    As reflexões são sempre muito interessantes e sempre vem em hora oportuna como viesse para complementar seus pensamentos, parece mágico.

  • Patricia Galvão disse:

    Qual o nome do livro que fala que a civilização ocidental tem como base o medo?


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Escrito por:

Heloisa Oliveira: Médica com formação em medicina antroposófica, aconselhadora biográfica do Grupo Ciclos da Vida e tem a Formação de Consultores e Líderes Facilitadores pela ADIGO - LUMO.

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