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O que sinto que me incomoda? Em busca da liberdade

Por que às vezes não nos sentimos bem? Algo no peito incomoda, angustia, a pessoa mais querida (ou as pessoas) nos irritam profundamente, ficamos sem vontade, sem prazer, sem curtir o outro, algo está errado, porém não conseguimos identificar o que seria. O que pode estar acontecendo?

Acho que uma das maiores questões em nossa sociedade é a dificuldade que temos em olhar para dentro e lidar com nossos próprios sentimentos. É muito mais fácil culpar o outro de nossas frustrações, desencantos, decepções, até mesmo fatores externos sendo responsáveis por “nossas expectativas” não se concretizarem.

E como lidamos com isso? Muitas vezes na hora ficamos furiosos ou introjetamos a raiva, ressentimento, vergonha em nossos corações, e esses sentimentos corroem, ferem, machucam, sangram um pouco a cada dia, viram escaras e se cicatrizam deixam marcas indeléveis e nem sempre conseguimos resgatar esse ser a quem amamos ou amávamos profundamente – “ele mudou”. Porém nada dissemos, no máximo uma cutucada ali, uma indireta acolá, outra alfinetada, como se o outro tivesse a obrigação de perceber o que queremos dizer com meias palavras e grandes intenções, muitas vezes como ele não reage ou fica na defensiva ou se distancia ainda mais nos sentimos não compreendidos, baixa autoestima ou na defesa – “ele não me merece”, afinal eu tento falar com ele, mas ele não me escuta ou entende (postura de vítima ou ser superior que tudo sabe). Mas o que realmente fazemos? Esperamos que o outro tenha o gesto de entender o que não falamos claramente, e aí vem a pergunta que não cala: E nós, conseguimos olhar dentro de nossa alma e analisar nossos próprios sentimentos ou ficamos com a mágoa, rancor, tristeza e outros sem que nós mesmos ou o outro saibamos? Quais os motivos desse tsunami de sentimentos que nos invade? Temos coragem de perceber o que sentimos e com isenção, sem julgar/ Isso é muito difícil mesmo! Conversamos com o outro o que sentimos e nos aflige? Temos consciência que dessa forma podemos mobilizar o outro a entender-se também e quem sabe resgatar aquele ser por quem nos apaixonamos e/ou que tanto gostamos?

E o outro como estaria nos vendo e sentindo? O que o aflige? Afinal entendo que o outro também deve estar diferente do que sempre foi. Já tivemos a coragem de perguntar ao outro como se sente em relação a nós? Conseguimos ouvir ao outro quando tenta nos dizer sobre si mesmo e sua percepção? Sem julgar?

Muito árdua essa tarefa, olhar-se, perceber nossos sentimentos, ver com isenção a situação, conversar com o outro perguntando sobre nós mesmos e então expondo com clareza no pensar os fatos e os sentimentos que percebemos em nós.

É muito difícil, porém ao abrirmos nosso coração com tranquilidade podemos ter a oportunidade de tocar o coração do outro e assim abrir uma nova luz para a compreensão e entendimento mútuo. O que sentimos, dito com verdade e sem drama, é nossa grande riqueza nessa vida e o amor o caminho que nos dá coragem para esse compartilhar. Se o outro vale a pena, por que não tentarmos? Ao compartilhar sentimentos nos libertamos, nos sentimos livres, menos peso no coração e novas oportunidades de sermos felizes.

Publicado em: 2 de dezembro de 2018 por

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Escrito por:

Heloisa Oliveira: Médica com formação em medicina antroposófica, aconselhadora biográfica do Grupo Ciclos da Vida e tem a Formação de Consultores e Líderes Facilitadores pela ADIGO - LUMO.

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