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Eu mereço

Final de semana, chego em casa e ninguém … Planos frustrados de estar em família, um viajou, outro de plantão e sobrei eu. Pensamentos invadem minha mente.

Penso na vida, e lembro quantas vezes meus sonhos e desejos não se realizaram. Quantas vezes o que planejei não saiu exatamente conforme desejava  e  senti na ocasião, frustração, raiva, tristeza, mágoa, decepção, sensação de menos valia, de rejeição e tantos sentimentos mais, não exatamente encorajadores. Por outro lado, contudo, o que esses sentimentos tentam me mostrar?

A essa altura da vida busco não o óbvio, mas as entrelinhas, o que se oculta por trás de coisas teoricamente tão obvias. O que o não esperado, o imprevisto, querem me mostrar? Como é minha vida? Sinto-a cheia, muitas coisas a fazer, mas que fazem sentido para mim. Coisas que dando trabalho ou não, o que importa é que me fazem sentir viva, útil, produtiva. Acho que tudo isso  me mantem viva. Ser alguém que tem sentido, que tem na vida um sentido, que busca um sentido na vida.

O que me faz feliz? O outro? As pequenas coisas? Pequenos prazeres? Ver a natureza, respirar e estar só – como me sinto em relação a isso? Preciso do outro para  sentir que sou realizada ou estou com o outro por me sentir realizada e querer compartilhar?

Nesse ponto lembro quanta estrada já percorri, quantas coisas fiz e quantas realidades vivi, me vejo e sinto hoje – o quanto minhas idéias e sentimentos já mudaram (graças a Deus!) – a vida é uma metamorfose e isso é ótimo! Sempre podemos mudar e nunca é tarde para ter sentido na vida! A incerteza nos traz a possibilidade da mudança não esperada e que tantas vezes ilumina ou acaba iluminando nosso caminho.

Chego em casa após a viagem – ninguém… preparo uma refeição deliciosa curtindo cada detalhe, abro meu vinho predileto, com a pessoa mais importante: Eu mesma. Eu mereço!

Publicado em: 30 de setembro de 2018 por

6 Comentários

  • Lilian O. Brodnitz disse:

    Compreendo tão bem esta situação! Após estes sentimentos invadirem, vem a aceitação da situação e a descoberta de que preparar algo muito bom e especial para mim é super necessário pois eu mereço! Saúde Heloísa!

  • Angela da rocha gardona Brandão disse:

    Tudo que Heloiza escreve parece acertar sempre no alvo. Sempre me faz refletir mto….obrigada

  • NORÂNGELA disse:

    Incrível! Isso aconteceu comigo no domingo passado chego em casa após um retiro de Mindfulness e não encontrei ninguém (marido,filhos…) em casa e pior não levei minhas chaves. Todos os sentimentos descritos no texto me invadem. Ligo pro filho que vem me socorrer. Após todos os sentimentos sentidos, a reflexão necessária chego as conclusões: não esperar do outro as mesmas coisa que eu faria, nunca sair sem as minhas chaves, e o reconhecimento de que de fato sou um elo importante no contexto familiar e que a minha companhia deve ser sempre a mais importante pra mim. NAMASTÊ!


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Escrito por:

Heloisa Oliveira: Médica com formação em medicina antroposófica, aconselhadora biográfica do Grupo Ciclos da Vida e tem a Formação de Consultores e Líderes Facilitadores pela ADIGO - LUMO.

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